NELSON MANDELA 95 ANOS


NELSON MANDELA 95 ANOS

Ricardo Timm de Souza

 

O que diferencia Estadistas como Gandhi e Mandela, que transcendem completamente sua época de atuação e mesmo o conhecimento preciso de suas ações específicas em prol daqueles a quem representaram, de “estadistas” cujo grande mérito foi invadir outros povos, lançar bombas atômicas, defender classes específicas em seu próprio país, inventar guerras para beneficiar indústrias ou agir como camaleões no âmbito da Realpolitik – os Hitler, Truman, Thatcher, Bush e Obama? Essencialmente, o fato de que os primeiros – além de entrarem naturalmente para o imaginário e a história de cada um de nós – pensaram para além de lógicas clausewitzianas e assumiram para si um espectro de responsabilidade para bem além de particularidades geopolíticas. Ao lutar durante muitas décadas contra todo o tipo de violações da dignidade humana, notadamente contra algumas das mais abjetas entre elas e pelo qual ficou conhecido – o racismo oficial do Apartheid legal – Nelson Mandela desvia suas ações da naturalidade egoísta da defesa de fronteiras de um povo específico, porque sua obra nasce apesar de todo egoísmo e do clima terrivelmente inóspito de seu lugar natal e sua causa transborda, por isso mesmo, para todos os níveis internacionais nos quais algo semelhante - ainda que remotamente - se desenrola. Longe de defender uma unidade mística em torno a um ideal impalpável e que ao fim se tornaria, provavelmente, ilusório, é à palpabilidade da conquista concreta de um espaço de existência que sua política se dedica - uma causa, não apenas aos olhos de quem se beneficiará com ela, mas de todos os que sonham com uma humanidade melhor e mais emancipada na singularidade incontornável que forma seu conjunto, à qual se pode chamar de "justa". Por isso, Mandela-Madiba, que entra na história pela porta dos fundos, posta-se hoje, em seu quase-centenário, à porta da frente histórica de um mundo no qual a esperança de um por vir melhor não é mera retórica. Enquanto outros entram no turbilhão do esquecimento, sua figura emerge da sombras da contemporaneidade e mostra que sonhar com o ainda-não não é apenas possível, mas indispensável à sobrevivência de todos nós. Feliz aniversário, Mandela!

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