ESCREVER O LIVRO DO MUNDO




ESCREVER O LIVRO DO MUNDO
MEMÓRIA COMO SUBSTÂNCIA ÉTICA DA LITERATURA, OU: A OBRA LITERÁRIA COMO MEMÓRIA DO PRESENTE

Ricardo Timm de Souza*

Não existem, nas vozes que escutamos, ecos das vozes que emudeceram?
W. BENJAMIN

I

            A tese central que será apresentada no presente texto[1] se propõe inicialmente da seguinte forma: a escrita orgânica, escritura, incisão do real literário na espessura quantitativa da “realidade ontológica”, enquanto expressão de forma literária e na condição de singularidade que pertence a cada trabalho bem sucedido na composição de uma obra feita inscrição, inscritura na realidade, se constitui, essencialmente, da decantação particular, especialíssima mesmo, de uma forma de memória que se oferece ao presente por entre os veios naturalizados da imagem da presença e da presença da imagem. Ou, em outras palavras, o essencial da literatura, que se sustenta como obra que sobrevive às tempestades de circunstâncias e modas, dá-se na obra à revelia da onipresença das presenças, das imagens e das equalizações do mundo administrado, na forma que essa configuração de realidade tem tomado em todos os povos e em todas as épocas[2].

II
            Em primeiro lugar é necessário, portanto, que se delimite claramente o que se entende no presente contexto por escrita, que aqui será sempre considerada escrita de uma obra no sentido adorniano, ou seja, de algo – por exemplo, um texto – cuja lógica de coesão interna seja a organicidade e a higidez com as quais se apresenta a quem com ele entra em contato. Por escrever se entende aqui, em uma remota inspiração derridiana, o ato de calcar incisivamente a superfície por assim dizer vítrea da naturalidade dos acontecimentos do que se dá à nossa presença até que essa superfície trinque irreversivelmente; ou, se quisermos emprestar a metáfora de Kafka, “romper com um machado o mar congelado em nosso interior”. Esse trincar ou romper é índice de propriedade do que se faz ao escrever, e é provavelmente devido a isso que nenhuma obra que valha a pena ser lida surge à percepção do seu autor e do mundo sem um determinado sentimento de trauma, de dor ou desconforto que significa o atrito com uma realidade para além do domínio do autor; porém, mais ainda, essa dor tem a ver com a inelutabilidade do efeito desse contato incisivo com a realidade em termos de sua incisão definitiva no tempo. Essa é a razão pela qual uma obra bem-sucedida é literalmente viva, ou, em termos literários, a ficção seja de outro modo tão real quanto qualquer realidade concebível e própria. Algo se rompe: eis instante doloroso, o tempo desnaturalizado, insubstituível por qualquer cronologia, a fresta ou rasgo nas imagens do mundo que consiste na percepção do que repousa por detrás dessas imagens, ou do que as sustenta. Algo se rompe: eis o efeito da metamorfose entre algo meramente descrito, quando cada palavra se desvanece no exato momento em que é pronunciada, e algo narrado, quando cada palavra exige, em sua singularidade inconfundível, ser levada a sério; e até mesmo entre algo escrito e algo inscrito. Ao autor que, por experiente que seja, se vê tentado pela ingênua idéia de depositar algo real no papel, a realidade responde com o brusco rebote de uma ação – por vezes mínima – que testemunha que realidade alguma se deixa manobrar nesse sentido por quem quer que seja. O caminho é só de ida, na ação do autor; o caminho é só de vinda, na configuração da obra. Eis a dialética sutil que exige que o autor seja o primeiro e mais incisivo interlocutor de sua obra. Como inscrição, a obra se define na massa dos acontecimentos de relevância variada que configura o passar do tempo real, e, também como inscrição, ela ocupa o espaço que lhe pertence na condição de realidade vinda à tona no entrechoque de imagens, símiles, paralelismos, acontecimentos que se dá no acontecer da vida (agora) feita obra – obra que perdura, pela sua consistência, e testemunha para o doravante a singularidade do presente que ela abrange.
            Literatura seria, portanto, nesse sentido, coleção variada de inscrições singulares no tecido do existente que, por sua vez, testemunham de modo particularmente eloqüente a realidade mesma. Em termos simples, o resultado temporal do testamento que essas inscrições significam. Dilui-se a ilusão da neutralidade como se dilui a ilusão da cronologia; a mera idéia de presença se desvanece: a literatura ocupa inteiramente o espaço que lhe pertence na configuração geral do real, na condição de configuração particular, ou singular, de realidade mesma; eis o que a faz subsistir em meio às condições mais inóspitas e seja sempre, de algum modo, na inspiração benjaminiana, testemunho de vozes – ou seja, de realidades particulares – que já emudeceram[3]. Ainda a grande literatura ainda não escrita traz em si a ancestralidade de seu tempo particular juntamente com a promessa de tempos ainda não acontecidos que se aninham em sua organicidade peculiar e inconfundível. Pois também o presente é memorável, ou: o presente é essencialmente memorável – esse é seu conteúdo mais profundo, sua temporalidade que perdura. A literatura tem, assim, uma estranha vocação à memória, pertence à memória como a memória a ela pertence, e não seria, no aspecto aqui destacado, despropositado referir que a literatura é essencialmente memória, ainda que – soará quiçá paradoxalmente – memória corporificada do presente da obra.


III

Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso”
W. BENJAMIN[4]


Memória do presente, memória no presente: não é senão no presente da memória que se desvela que repousa o sentido do memorável. E é de sentido que se trata. A angústia da memória, seu agon, é permanecer obliterada no espectro do sem-sentido, pois então sua própria realidade mais íntima lhe é escamoteada. Os fragmentos do passado que não podem falar por si trazem a significação de partículas ruinosas que o acúmulo de ruínas da história deixa atrás de si. Há uma anonimização crescente e devastadora que se arremessa sobre tudo aquilo que jaz solitário e fraco após a moagem ideológica do moinho da história: o progresso exige sacrifícios. O anjo testemunhal é impotente – porém, converte-se de certo modo no próprio testemunho. Dissuadido de axiologia suavizadoras, vê uma catástrofe única e não acontecimentos cujo nome que lhes atribuímos parece sugar para si o seu conteúdo e o seu sentido. É de sentido que se trata; o testemunho da catástrofe única é ser testemunha apenas de si mesma, o que é simultaneamente demais e de menos. Demais, pois confunde e submerge no indiferenciado a poeira do que se deu; de menos, porque nem a acumulação de ruínas nos traz fidelidade à existência de um só grão de poeira. Assim como, passado o tempo, animais ou humanos mortos que são enterrados em vala comum são mais e mais indistinguíveis uns dos outros quando de uma improvável exumação, igualmente os resquícios do passado são crescentemente indistinguíveis quando aglomerados na massa compacta do indiferenciado. E trata-se de um momento altamente depressivo da inteligência inquieta aquele em que ela percebe que o mundo “administrado” dos ardis da mediocridade funciona precipuamente em termos de uma espécie de máquina de indiferenciação que produz, continuamente, uma capciosa retórica do indiferentismo, geralmente disfarçada em universalismos ocos[5]. A insurgência ética contra isso é o ato fundamental de vida, e nessa vida se inscreve – e inscreve – a escritura.
            A memória do presente, sentido de todo ato de memória, ou seja, de consciência pós-recalque, permanece, portanto, aqui, no horror da impotência, ou seja, do sem-sentido. Como o anjo, é levada para todos os lados, todos os quadrantes lhe oferecem consolo e abrigo, mas todos a traem no momento de seu encontro consigo mesma. Pois o sentido não se conserva incólume com o passar do tempo; tal como um objeto abandonado às intempéries, é devastado pela corrosão e diluição que o próprio tempo significa. Dissolve-se na insignificância. Permanece, apenas, o olhar vidrado do anjo viajando velozmente em direção ao neutro, à promessa falaz e indecente de felicidade que o esquecimento significaria. Porém, esse anjo não olha o nada; ele vê algo. Mira a catástrofe contínua da moagem do sentido. É ali, portanto, que a salvação subjaz, o anjo é sábio, já provado pela ventania do positivismo chamado “progresso” que o arrasta em sua precariedade.
            E, todavia, é de forma subjacente à montanha de detritos do acontecido que as sementes do real sobrevivem. O processo de recalcamento do real não levou em consideração o fato de que, por mais que a dimensão expressa de realidade que empresta a cada fragmento de sentido seu sentido próprio tenha sido moída na avalanche de acontecimentos precipitados, na moagem ruinosa das singularidades, a realidade mesma sobrevive às metamorfoses de sentido que o tempo conduz; a grande danação do presente – o tempo – inverte-se na maior possibilidade de salvação do presente, do passado e do futuro – a narrativa. Quem descreve mata o tempo; quem narra, narra o tempo. Os acontecimentos recolhem os destroços nos quais foram transformados, e nesse recolher – na narração desse recolher – coagulam o sentido disperso que ainda paira, qual “nada”, na cercania dos caídos.


IV

“O cronista que narra os acontecimentos, sem distinguir entre os grandes e os pequenos, leva em conta a verdade de que nada do que um dia aconteceu pode ser considerado perdido para a história. Sem dúvida, somente a humanidade redimida poderá apropriar-se totalmente de seu passado. Isso quer dizer: somente para a humanidade redimida o passado é citável, em cada um de seus momentos. Cada momento vivido transforma-se numa citation à l’ordre du jour – e esse dia é justamente o do juízo final”[6]

            A literatura é a configuração da realidade sem a sombra mortuária de seu falso, quer dizer, sem o acompanhamento do mau espectro daquilo que apenas “se diz” (no sentido de que diferença alguma haveria se nada se dissesse) da realidade; pois a literatura não diz a realidade nem diz da realidade, já que ela, em seu sentido mais estrito e rigoroso, é realidade que narra a si mesma. Eis o que separa as obras verdadeiras dos simulacros. O seu escritor – da obra verdadeira – é sempre, antes de mais, o cronista do improvável, independentemente do tempo com o qual esse improvável se reveste a uma observação casual – e o escritor é também, exatamente por isso, o cronista do real. Quem escreve com a responsabilidade que essa atividade gravíssima significa, necessita e exige, precisa, antes de tudo, subverter a lógica dos tempos da leviandade, em cada época. Na contemporaneidade, tal toma uma feição perfeitamente clara[7]. Em todos os tempos, a tentação do efêmero perdura: é a reminiscência do tempo comum de transformação da qualidade em quantidade, a mediocridade do indiferenciado, que se insinua por entre letras e palavras, mesmo frases que, repletas de boas intenções, não compreendem sua real vocação. É a tentação mortal do escritor. Tentação mortal do escritor porque, para bem exercer a tarefa à qual foi condenado pelo real, esse tem que, ainda uma vez, subverter a lógica do mundo, ou seja, a naturalização do fático e do estabelecido ou meramente estatuído ou – o que, muitas vezes, se apresenta como ainda pior – a reverberação do vulgar em nome de algo como um modismo ou texto-encaixe nas engrenagens da indústria cultural. Tal é mais grave do que a mera corrosão crítica poderia antever. E significa, além da morte do – agora fracassado – escritor (pois derrotado por uma circunstância que deveria ter sido enfrentada), uma perigosa centelha mimética da própria morte da literatura.
            Assim, é de responsabilidade que se trata, e não de malabarismos intelectuais ou de contaminação e redundância de torrentes de palavras, fátuos fogos de artifícios mentais, que se esgotam no exato momento em que se esgota o prurido intelectual que possam eventualmente ocasionar. Escrever é, essencialmente, um ato ético[8]. Ele tem de permanecer após sua recepção, pois coagula em si o sentido da singularidade que a memória do presente significa.

V
Temos que empreender o negativo; o positivo já nos foi dado.
Theodor ADORNO

            A literatura é então uma espécie extremamente peculiar de memória materializada, e testemunha por si só a presença de sentido que a si mesma porta. A literatura é a memória do presente – não no sentido de um legado que se dirija às gerações futuras, ou seja, um testemunho do presente (embora essa dimensão seja igualmente significativa e meritória), mas no sentido de que traz ao presente sua presença mesma – sua presença mais profunda, abscôndita, negativada pelo roldão do “progresso”, num ato ético profundamente temerário de recolher os cacos do já acontecido e os disponibilizar, como forma e estilo na fidelidade ao seu conteúdo e à singularidade, ao encontro e à auto-revelação da contemporaneidade. Para a literatura, como para tantas ciências e sabedorias, deve-se dizer com Franz Rosenzweig: “Zeit ist’s” – “o tempo certo está aí”[9] – e esse tempo certo, no que aqui se trata, é o momento em que a memória, narrada, se desdobra ao presente como obra e ocupa nele o lugar que é eticamente o seu. E isso significa, ao narrar o minúsculo como o maiúsculo, escrever, sempre novamente, o grande livro do mundo.


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______, “O corpo do tempo: um exercício fenomenológico”, in: SOUZA, R. T. – OLIVEIRA, N. F. (Orgs), Fenomenologia hoje II – significado e linguagem, Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002, p. 439-450.
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[1] Como estrutura categorial prévia ao presente texto, em termos de conceitualização filosófica, serão utilizados especialmente meus textos “’Ecos das vozes que emudeceram’: memória ética como memória primeira”, in: RUIZ, Castor Bartolomé (Org.). Justiça e memória – para uma crítica ética da violência, São Leopoldo: Editora da UNISINOS, 2009; “Da metamorfose da intencionalidade à metamorfose do sentido – uma leitura de Levinas”. In: LOPARIC, Zeljko – WALTON, Roberto. (Orgs.). Phenomenology 2005 – Selected Essays from Latin America. 1 ed. Bucarest: Zeta Books, 2007, v. 2; “Por uma estética antropológica desde a ética da alteridade: do ‘estado de exceção’ da violência sem memória ao ‘estado de exceção’ da excepcionalidade do concreto”, in: VERITAS – Revista de Filosofia, v. 51, n. 2, junho 2006, p. 129-139; “O corpo do tempo: um exercício fenomenológico”, in: SOUZA, R. T. – OLIVEIRA, N. F. (Orgs), Fenomenologia hoje II – significado e linguagem, Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002, p. 439-450. Para referências completas, consultar “Referências”, ao fim do texto.
[2] E, portanto, não estamos circunscrevendo essa hipótese ao universo da contemporaneidade, quando a idéia de “mundo administrado” assume sua forma característica a partir das leituras da Escola de Frankfurt; em cada momento da história e em cada locus geográfico no qual surge literatura, detectam-se simultaneamente forças opressivas – Adorno talvez dissesse: regressivas, na terminologia de Freud em um processo violento ou sutilmente capcioso de Verdrängung (cf. “Die Verdrängung”, in: FREUD, S. Das Ich und das Es – metapsychologische Schriften, Frankfurt a. M., Fischer, 1996, p. 103-116) – recalcamento –, consagradas ao abortamento daquilo que a literatura é enquanto obra e testemunha enquanto legado.
[3] Cf. SOUZA, R. T., “’Ecos das vozes que emudeceram’: memória ética como memória primeira”, in: RUIZ, Castor Bartolomé (Org.). Justiça e memória – para uma crítica ética da violência, São Leopoldo: Editora da UNISINOS, 2009. 
[4] “Sobre o conceito de história”, in: BENJAMIN, W. Obras Escolhidas, p. 226.
[5] Cf. SOUZA, R. T., “O nervo exposto – por uma crítica da idéia de razão desde a racionalidade ética”, in: GAUER, R. M. C. (Org.), Criminologia e sistemas jurídico-penais contemporâneos II, Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010.
[6]BENJAMIN, Walter. “Sobre o conceito de história”, in: BENJAMIN, W. Obras Escolhidas, p. 223.
[7] “Livro é uma coisa; indústria cultural, outra” – Jacó Guinsburg.
[8] Cf. SOUZA, R. T. “Escrever como ato ético”.
[9] Cf. SOUZA, R. T., “O tempo e o Novo – sobre o ‘Novo Pensamento’ de Franz Rosenzweig.

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