A QUESTÃO DO HUMANO EM WALTER BENJAMIN

Walter Benjamin
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Ricardo Timm de Souza

           

 Walter Benjamin – nascido em Berlim, em 1891, e morto em Port-Bou, perto de Barcelona, em 1940, ao fugir dos nazistas – é um dos pensadores mais originais e importantes do século XX. Não foi apenas um filósofo de primeira grandeza; sua obra ensaística e de tradução já bastariam para imortalizá-lo. Benjamin foi um intérprete muito notável de sua época, não em uma leitura descritiva, horizontal, mas em termos genealógicos, na história que se apresenta, como tal, em fatos históricos particulares e que abrem, pela consciência especial que evocam, pela importância que assumem desde essa consciência, chaves magníficas para a compreensão da história ocidental geral e dos momentos particulares que ora vivemos. Leitor absolutamente privilegiado de seu tempo, Benjamin forneceu um extraordinário ferramental para a autoconsciência da contemporaneidade; os frutos de seus esforços podem muito bem ser percebidos na atualidade espantosa que mantêm muitas de suas análises.
             É a um de seus textos maduros – escrito em época particularmente difícil: 1933, época do advento do nazismo ao poder na Alemanha – que dedicaremos nossa atenção a seguir: “Experiência e pobreza”[1]. Evidentemente, o texto não será abordado aqui em toda a sua riqueza e vias interpretativas possíveis, mas apenas naquilo que no momento nos interessa precipuamente – as derivações que a ideia de empobrecimento da experiência, da capacidade de experimentar, tem para a compreensão do ser humano atual, na época de Benjamin como hoje, no despertar do século XXI.
            Benjamin inicia o texto desde um enraizamento preciso; ele não está falando de uma época qualquer, muito menos está falando intemporalmente: ele está falando, exatamente, desde o núcleo da angústia que significa o entre-guerras alemão. Uma angústia que, numa espécie de contraste com o passado, é apropriada por Benjamin desde o ângulo de uma perda. Mas não uma perda nostálgicas de certezas em meio à sucessão de vagas destruidoras da contemporaneidade, e sim como perda específica do transmissível, da transmissibilidade narrativa que, ao referir os acontecimentos, ao narrá-los, os convida a uma dialética de aproximação linguístico-afetiva e distanciamento temporal. As históricas, a história, não é mais “narrável”; ela perdeu a consciência plena dos fatos que a constituem em sua significação própria. Uma espécie de atualidade vertiginosa, de turbilhão intelectual, de fragmentação da dignidade, atingiu em cheio a esperança humana. Como Rosenzweig, que escreve em 1920, após a catástrofe da Primeira Guerra – “eu não sei, hoje, de onde pode provir a coragem para escrever a história alemã” -, Benjamin não sabe de onde podem provir as referências que levaram as gerações anteriores a empreender e a esperar a construção do futuro:

Em nossos livros de leitura havia a parábola de um velho que no momento da morte revela a seus filhos a existência de um tesouro enterrado em seus vinhedos. Os filhos cavam, mas não descobrem qualquer vestígio do tesouro. Com a chegada do outono, as vinhas produzem mais do que em qualquer outra região. Só então compreenderam que o pai lhes havia transmitido uma certa experiência. A felicidade não está no ouro, mais no trabalho. Tais experiências nos forma transmitidas, de modo benevolente ou ameaçador, à medida que crescíamos: ‘Ele é muito jovem, em breve poderá compreender’. Ou: ‘Um dia ainda compreenderá’. Sabia-se exatamente o significado da experiência: ela sempre fora comunicada aos jovens. De forma concisa, com a autoridade da velhice, em provérbios; de forma prolixa, com a sua loquacidade, em histórias; muitas vezes como narrativas de países longínquos, diante da lareira contadas aos pais e netos. Que foi feito de tudo isso? Quem encontra ainda pessoas que saibam contar histórias com elas devem ser contadas? Que moribundos dizem hoje palavras tão duráveis que possam ser transmitidas como um anel, de geração em geração? Quem é ajudado, hoje, por um provérbio oportuno? Quem tentará, sequer, lidar com a juventude invocando sua experiência?
          
  A resposta a esta questão intrigante – em tempo onde as experiências do progresso técnico se multiplicam infinitamente, ocorre um vazio de experiência – aponta para um paradoxo, que Benjamin explora com argúcia: a pretensa riqueza de experiências de um mundo que se precipita no abismo trai, na verdade, a pobreza do desnorteamento e da violência. Uma geração que viveu experiências potencialmente fortíssimas – a Primeira Guerra Mundial – é incapaz de dar a este conjunto de vivências um sentido suficiente de realidade, que as transforme em experiência narrável, narrativa, ou seja, que permita sua consciência plena e sua transformação humana. E isso porque viveu situações que, conduzindo-a a limites extremos do tolerável, à esfera estreita entre a vida e a morte, esvaziou-a de sentido humano -, e por conseguinte, de material para experiências humanas – na medida em que a inundava com a sucessão de fatos desumanizadores que a guerra significou.

Não está claro que as ações da experiência estão em baixa, e isso numa geração que entre 1914 e 1918 viveu uma das mais terríveis experiências da história. Talvez isso não seja tão estranho como parece. Na época, já se podia notar que os combatentes tinham voltado silenciosos do campo de batalha. Mais pobres em experiências comunicáveis, e não mais ricos. Os livros de guerra que inundaram o mercado literário nos dez anos seguintes não continham experiências transmissíveis de boca em boca. Não, o fenômeno não é estranho. Porque nunca houve experiências mais radicalmente desmoralizadas que a experiência estratégica pela guerra de trincheiras, a experiência econômica pela inflação, a experiência do corpo pela fome, a experiência estratégica moral pelos governantes. Uma geração que ainda fora à escola num bonde puxado por cavalos viu-se abandonada, sem teto, numa paisagem diferente em tudo, exceto nas nuvens, e em cujo centro, num campo de forças de correntes e explosões destruidoras, estava o frágil e minúsculo corpo humano.
         
   O ser humano lançado à indigência de si mesmo, por foca das contingências da guerra – eis a situação que esvazia a potência dos jovens. Os desmandos e descaminhos de um mundo perdido, presa de suas ansiedades de medos, incapaz de saber ao menos por onde começar a se entender: o mundo do homem médio da República de Weimer, enredado nas falácias de todas as ordens, sem saber exatamente o que o conduziu a tal estado de coisas e, muito mais, sem saber aonde tal estado de coisas o levará: eis o drama que se encarna nos jovens que, indo à guerra, dela retornaram esvaziados do potencial compreensivo que os faria transmissores de uma cultura a partir de uma experiência-limite. Notemos aqui a sutileza: normalmente, situações graves amadurecem os indivíduos, fazendo com que se transformem em intérpretes qualificados de seu tempo e de seu mundo; no caso, porém, desta geração esvaziada, a gravidade das situações é de outra ordem: ela atinge e corrói a base humana necessária para que tal amadurecimento se dê.
            É evidente que os mecanismos substitutivos se multiplicam; a indigência do tempo mobiliza as ansiedades do mundo, obriga-as a hipotecarem sua confiança a alternativas culturais de consistência muito relativa. A confusão criada – que culmina no reaparecimento da indigência profundamente humana de seres vagantes em meio a seus afazeres, de criaturas infinitamente solitárias em meio à multidão -, simboliza não mais uma “pobreza privada”, mas a exposição da indigência humana enquanto uma característica da humanidade presente.

Uma nova forma de miséria surgiu com esse monstruoso desenvolvimento da técnica, sobrepondo-se ao homem. A angustiante riqueza de ideias que se definiu entre, ou melhor, sobre as pessoas, com a renovação da astrologia e da ioga, da Christian Science e da quiromancia, do vegetarianismo e a gnose, da escolástica e do espiritualismo, é o reverso dessa miséria. Porque não é uma renovação autêntica que está em jogo, e sim uma galvanização. Pensemos nos esplêndidos quadros de Ensor, nos quais uma grande fantasmagoria enche as ruas das metrópoles: pequenos-burgueses com fantasias carnavalescas, máscaras disformes brancas de farinha, coroas de folhas de estanho, rodopiam imprevisivelmente ao longo das ruas. Esses quadros são talvez a cópia da Renascença terrível e caótica na qual tanto depositam suas esperanças. Aqui se revela, com toda clareza, que nossa pobreza de experiências é apenas uma parte da grande pobreza que recebeu um rosto, nítido e preciso como o do mendigo medieval. Pois qual o valor de todo o nosso patrimônio cultural, se a experiência não mais o vincula a nós? A horrível mixórdia de estilos e concepções do mundo do século passado mostrou-nos com tanta clareza aonde esses valores culturais podem nos conduzir, quando a experiência nos é subtraída, hipócrita ou sorrateiramente, que é hoje em dia uma prova de honradez confessar nossa pobreza. Sim, é preferível confessar que essa pobreza de experiências não é mais privada, mas de toda a humanidade. Surge assim uma nova barbárie.
           
 Enraizada na crise de sentido do século XX, “surge assim uma nova barbárie”. Benjamin é o autor da famosa frase: “toda obra de cultura é uma obra de barbárie”; o sentido desta frase é sugerido a seguir:

Barbárie? Sim. Respondemos afirmativamente para introduzir um conceito novo e positivo de barbárie. Pois o que resulta para o bárbaro dessa pobreza de experiência? Ela o impele a partir para frente, a começar de novo, a contentar-se com pouco, a construir com pouco, sem olhar nem para a direita nem para a esquerda. Entre os grandes criadores sempre existiram homens implacáveis que operaram a partir de uma tábua rasa. Queriam uma prancheta: foram construtores. A essa estirpe de construtores pertenceu Descartes, que baseou sua filosofia numa única certeza – penso, logo existo – e dela partiu. Também Einstein foi um construtor assim, que subitamente perdeu o interesse por todo o universo da física, exceto por um único problema – uma pequena discrepância entre as equações de Newton e as observações astronômicas. Os artistas tinham em mente essa mesma preocupação de começar do princípio quando se inspiravam na matemática e reconstruíam o mundo, como os cubistas, a partir de formas estereométricas, ou quando, como Klee, se inspiravam nos engenheiros. Pois as figuras de Klee são por assim dizer desenhadas na prancheta, e, assim, como um bom automóvel a própria carroceria obedece à necessidade interna do motor, a expressão fisionômica dessas figuras obedece ao que está dentro. Ao que está dentro, e não à interioridade: é por isso que elas são bárbaras. 
           
 Temos aqui o reverso do sombrio diagnóstico benjaminiano: é da tensão da barbárie que surge a sugestão da possibilidade de um novum. O ser humano contemporâneo nu, despido dos adereços sociais ultrapassados e liquidados por situações históricas de fato, “deitado como um recém-nascido nas fraldas sujas de nossa época”, é o alvo da cultura da tensão. Uma tensão que aborrece todo e qualquer humanismo, pois sabe que tal conceito perdeu-se no passado, e em seu lugar estatui simplesmente o “humano”, indigente em sua vida precária, mas subsistente enquanto receptor de novos influxos; esvaziamento da categoria do humano pela consciência de sua insuficiência de sustentar a humanidade do humano: gente que se chama como coisas, espécie de capitulação frente ao ritmo do progresso:

Algumas das melhores cabeças já começaram a ajustar-se a essas coisas. Sua característica é uma desilusão radical com o século e ao mesmo tempo uma total fidelidade a esse século. Pouco importa se é o poeta Bert Brecht afirmando que o comunismo não é a repartição mais justa da riqueza, mas da pobreza, ou se é o precursor da moderna arquitetura, Adolf Loos, afirmando: ‘Só escrevo para pessoas dotadas de uma sensibilidade moderna... Não escrevo para os nostálgicos da Renascença ou do Rococó’. Tanto um pintor complexo como Paul Klee quanto um arquiteto programático como Loos rejeitam a imagem do homem tradicional, solene, nobre, adornado com todas as oferendas do passado, para dirigir-se ao contemporâneo nu, deitado como um recém-nascido nas fraldas sujas de nossa época. Ninguém o saudou tão alegre e risonhamente como Paul Scheerbart. Ele escreveu romances que de longe se parecem com os do Júlio Verne, mas ao contrário de Verne, que se limita a catapultar interminavelmente no espaço, nos veículos mais fantásticos, pequenos rentiers ingleses ou franceses, Scheerbart se interessa pela questão de como nossos telescópios, aviões e foguetes transformaram os homens antigos em criaturas inteiramente novas, dignas de serem vistas e amadas. De resto, essas criaturas também falam uma língua inteiramente nova. Decisiva, nessa linguagem, é a dimensão arbitrária e construtiva, em contraste com a dimensão orgânica. É esse o aspecto inconfundível na linguagem dos homens de Scheerbart, ou melhor, de sua ‘gente’; pois tal linguagem recusa qualquer semelhança com o humano, princípio fundamental do humanismo. Mesmo em seus nomes próprios: os personagens do seu livro, intitulado Lesabéndio, segundo o nome do seu herói, chamam-se Peka, Labu, Sofanti e outros do mesmo gênero. Também os russos dão aos seus filhos nomes ‘desumanizados’: são nomes como Outubro, aludindo à Revolução, ou Pjatiletka, aludindo ao Plano Quinquenal, ou Aviachim, aludindo a uma campanha de aviação. Nenhuma renovação técnica da língua, mas sua mobilização a serviço da luta ou do trabalho e, em todo o caso, a serviço da transformação da realidade, e não da sua descrição.  

Assimilação de coisas, coisas internalizadas – o que não significa interioridade. Seres às voltas com uma indigência tão radical, que se torna absolutamente transparente. Um mundo fátuo – poderíamos avançar dizendo-o virtual? – se transforma em sonho de humanidade. Uma humanidade cansada. Cansada de sonhos abortados, de promessas não realizadas de uma modernidade cheia de boas intenções, porém tão inábil para a realização plena de suas promessas como em achar justificativas reais para esse fato. Uma modernidade confrontada com os fantasmas que pensava haver exorcizado por uma força monumental do espírito – como se a realidade do mundo, de um mundo melhor, fosse apenas questão de um novo espírito. Projeções oníricas, desprovidas de sua função terapêutica normal, mais semelhantes a uma espécie de embriaguez de superfluidade – superfluidez? – que prepara o terreno para toda uma metafísica da razão instrumental, da transformação do humano em máquinas de consumo.

Pobreza de experiências: não se devem imaginar que os homens aspirem a novas experiências. Não, eles aspiram a libertar-se de toda experiência, aspiram a um mundo em que possam ostentar tão pura e tão claramente sua pobreza externa e interna, que algo de decente possa resultar disso. Nem sempre eles são ignorantes ou inexperientes. Muitas vezes, podemos afirmar o oposto: eles ‘devoraram’ tudo, a ‘cultura’ e os ‘homens’, e ficaram saciados e exaustos. ‘Vocês estão todos cansados – e tudo porque não concentraram todos os seus pensamentos num plano simples, mas absolutamente grandioso’. Ao cansaço segue-se o sonho, e não é raro que o sonho compense a tristeza e o desânimo do dia, realizando a existência inteiramente simples e absolutamente grandiosa que não pode ser realizada durante o dia, por falta de forças. A existência do camundongo Mickey é um desses do homem contemporâneo. É uma existência cheia de milagres, que não somente superam os milagres técnicos como zombam deles. Pois o mais extraordinário neles é que todos, sem qualquer improvisadamente, saem do corpo do camundongo Mickey, dos seus aliados e perseguidores, dos móveis mais cotidianos, das árvores, nuvens e lagos. A natureza e a técnica, o primitivismo e o conforto se unificam completamente, e aos olhos das pessoas, fatigadas com as complicações infinitas da vida diária e que veem o objetivo da vida apenas como o mais remoto ponto de fuga numa interminável perspectivas de meios, surge uma existência que se baseia em si mesma, em cada episódio, de modo mais simples e mais cômodo, e na qual um automóvel não pesa mais que um chapéu de palha, e uma fruta na árvore se arredonda como a gôndola de uma balão.   

Existências deslocadas umas das outras, desconexões como fato naturalizado, o humano fragmentado, desenraizado de si mesmo, exposto, solitariamente, à sua indigência, à violência de um mundo que o seduz continuamente a fazer parte ativa nele. Um mundo perdido, atônito, onde a esperança lateja de forma quase imperceptível. Um mundo que permite ao mesmo um diagnóstico infinitamente profundo e infinitamente simples: pobreza. Trocamos as cores da realidade, sombrias, pelo colorido artificial das aparências. Fingimos não perceber as ameaças concretas do dia a dia, para suportar o fardo de continuar sendo robôs.
E, por outro lado, a latência da experiência, o suspiro inaudível daquilo que sobrevive à própria improbabilidade. Por trás da cultura, por entre as ruínas dos sonhos, nascem crianças ainda: o espírito não deu sua última palavra. “... uma humanidade se prepara, se necessário, para sobreviver à cultura”:

Podemos agora tomar distância para avaliar o conjunto. Ficamos pobres. Abandonamos uma depois da outra todas as peças do patrimônio humano, tivemos que empenhá-las muitas vezes a um centésimo do seu valor para recebermos em troca a moeda miúda do ‘atual’. A crise econômica está diante da porta, atrás dela está uma sombra, a próxima guerra. A tenacidade é hoje privilégio de um pequeno grupo de poderosos, que sabe Deus não são mais humanos que os outros; na maioria bárbaros, mas não são no bom sentido. Porém os outros precisam instalar-se, de novo e com poucos meios. São solidários dos homens que fizeram do novo uma coisa essencialmente sua, com lucidez e capacidade de renúncia. Em seus edifícios, quadros e narrativas a humanidade se prepara, se necessário, para sobreviver à cultura. E o que é mais importante: ela o faz rindo. Talvez esse riso tenha aqui e ali um som bárbaro. Perfeito. No meio tempo, possa o indivíduo dar um pouco de humanidade àquela massa, que um dia talvez retribua com juros e com os juros dos juros.

Temos aqui, assim, breves sugestões da compreensão da condição humana por Walter Benjamin. O ser humano é aquele que sobrevive em meio à sabotagem de seus sonhos; ele transforma as dores da vida, a indigência da realidade, um mundo falso, em esperança concreta de reencontro com a realidade, sua e do mundo. Há mais potência no espírito que encarna o sentido do humano que em todas as fantasmagorias que pretendem dissuadi-lo de se encontrar consigo mesmo no fulcro da história. O humano é uma reserva de sentido para si mesmo; em meio à ruína, a ruína, compreendida como ruína de um passado nunca à altura de suas promessas de dignidade, as projeções idealistas do humano se desencontram de si mesmas, permitindo, no breve intervalo que se cria, que o humano possa nascer.


[1] BENJAMIN, Walter. Experiência e pobreza. In: ________. Obras escolhidasmagia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 114-120.

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