A QUESTÃO DO HUMANO EM EMMANUEL MOUNIER

Emmanuel Mounier
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           Ricardo Timm de Souza

 Emmanuel Mounier, nascido em Grenoble, em 1905 e falecido em 1950, é um filósofo relativamente atípico no século XX. Desenvolveu uma interessante teoria da pessoa – o “personalismo” -, que tem influenciado, direta ou indiretamente, muitos pensadores contemporâneos.
            Autor, entre outros, dos livros Manifesto a serviço do personalismo, O que é o personalismo?, Personalismo católico, Liberdade sem condições, Tratado do caráter, seu pensamento se apresenta com particular clareza no pequeno volume O personalismo, de 1949. É do primeiro capítulo desse livro – “A existência incorporada” – que provém os excertos a seguir examinados[1].
            Mounier, desde sua posição cristã, inicia por criticar as bipolaridades dos modelos espiritualistas correntes, e afirma categoricamente que a sua concepção de “pessoa” não compartilha de tais modelos de divisão do mundo:

Os modernos espiritualismos dividem o mundo e o homem em duas substâncias independentes, a matéria e o espírito. Umas vezes aceitam como fato consumado a independência das duas substâncias (paralelismo psico-fisiológico) e, deixando a matéria entregue às suas fatalidades próprias, reclamam, no entanto, o direito de legislar em absoluto no reino do espírito: a junção dos dois mundos é então inexplicável. Outras vezes, negam qualquer realidade ao mundo material, que consideram simples aparência do espírito: a importância dessa aparência assume, então, foros de paradoxo. [...] Desde o início que um tal esquema é desfeito pelo realismo personalista. 
         
   Para o filósofo, o ser humano está desde sempre “mergulhado” na natureza: sou terra e sangue, necessidades diversas, determinações materiais das mais diversas ordens, desde as contingências particulares de indivíduo até as grandes variáveis históricas e sócio-psicológicas:

A pessoa está mergulhada na natureza. – O homem é corpo exatamente como é espírito, é integralmente ‘corpo’ e é integralmente ‘espírito’ dos seus mais primários instintos, comer, reproduzir-se, é capaz de passar a artes sutis: a culinária, a arte de amar. Uma dor de cabeça, no entanto, detém o grande filósofo e, no meio dos seus êxtases, S. João da Cruz vomitava. [...] O meu feitio e a minha maneira de pensar são amoldados pelo clima, a geografia, a minha situação à face do globo, a minha hereditariedade, e, talvez, até, pela ação maciça dos raios cósmicos. Para além destas influências, temos ainda posteriores determinações psicológicas e coletivas. Não há em mim que não esteja imbuído de terra e de sangue. E estudos vários demonstram que as grandes religiões seguem os mesmos caminhos das grandes epidemias. Por que razão nos haveríamos de chocar? Também os pastores têm pernas que os guiam através dos declives do caminho.
      
      Frente à natureza, na natureza, o ser humano é, portanto, uma unidade por ela impregnada; seu “espírito” não está fora dela. Mounier denuncia as falácias de uma separação alma-corpo, a ideia de dualidade, como uma intromissão de resquícios do modelo grego de pensamento na concepção cristã de ser humano; o cristão que fala mal da carne é, na verdade, anticristão: 

Eis o que contêm de verdadeiro as análises materialistas. Mas nada trouxeram de inédito. A indissolúvel união da alma e do corpo é o centro do pensamento cristão. Nunca opôs ‘espírito’ a ‘corpo’ ou a ‘matéria’, na acepção moderna deste termo. Para ele, o ‘espírito’, o sentido compósito em que o espiritualismo moderno emprega esse termo, ou seja, designando ao mesmo tempo o pensamento (nous), a alma (psyché), e a própria respiração, funde-se com o corpo na nossa existência. Quando o todo assim formado segue num sentido inverso ao da sobrenatural vocação do homem, o cristianismo dá a esse movimento o nome de carne, designando assim, a um tempo, o peso da alma e os dos sentidos; quando, ao contrário, tudo nos leva a Deus, corpo e alma conjuntamente colaboram no reino do espiritual (pneuma), reino sólido de Deus e não reino etéreo do Espírito. Se a natureza humana foi ferida pelo pecado original, foi o composto humano na sua totalidade que foi atingido; e já nos Evangelhos a malícia e as perversões do espírito provocaram mais maldições do que as da ‘carne’, no sentido restrito da palavra. O cristão que fala com desprezo do corpo e da matéria, fá-lo contra a sua mais central tradição. A teologia medieval considerava que, vulgarmente, só podemos aceder às mais altas realidades espirituais, e até a Deus, através da matéria e do peso que sobre ela exercemos. Foi antes o desprezo dos gregos pela matéria que se transmitiu de século em século até aos nossos dias, cobrindo-se de falsas justificações cristãs.       
          
  Decorre daí, portanto, que a condição humana encarnada não é uma desvantagem, mas a condição de a pessoa ser propriamente pessoa. É pelo seu peso, pela sua unidade agente, que se entende, então, que a pessoa transcende a natureza em suas leis de causalidades e conjuntos de corpos físicos. Para que se compreenda isso, é necessário que se compreenda em que sentido a noção de “transcendência” é aqui utilizada:

Impõe-se-nos hoje acabar com esse pernicioso dualismo, tanto na nossa maneira de viver, como no nosso pensamento. O homem é um ser natural; através do seu corpo faz parte da natureza, e o seu corpo segue-o por toda a parte. Saibamos tirar daqui as consequências. [...] A natureza – natureza exterior, anterior ao homem, inconsciente psicológico, participações sociais não personalizadas – em nada contribui para o mal do homem: a encarnação não é uma queda. Mas exatamente porque é a situação do impessoal e do objetivo, é permanente ocasião de alienação. A miséria, tal como a abundância, esmaga-nos. O homem está como que cercado por uma e outra. O marxismo pensa bem quando diz que o fim da miséria material é o fim duma alienação, e etapa necessária para o desenvolvimento da humanidade. Mas não é aí que terminam todas as alienações, nem mesmo no plano natural. [...] A pessoa transcende a natureza. – O homem é um ser natural. Será somente um ser natural? Será, inteiramente, um joguete da natureza? Inserido da natureza, transcendê-la-á quando ela emerge? [...] A dificuldade está em colocarmos corretamente esta noção de transcendência. O nosso espírito resiste à representação duma realidade que esteja inteiramente inserida numa outra, na sua existência concreta, e que, no entanto, lhe seja superior em nível de existência. Não se pode morar ao mesmo tempo no rés-do-chão e no sexto andar, diziam Leon Brunschvicg, o que apenas consegue ridicularizar numa imagem espacial, uma experiência que o espaço não pode transcrever. O universo está cheio de homens que fazem os mesmo gestos nos mesmo sítios, mas que trazem consigo e à sua volta suscitam universos mais remotos do que constelações.   
           
 “Transcendência”, portanto, não significa algum tipo de escapismo da realidade material, elevação para “fora” do corpo ou coisa semelhante; transcendência é o significado de ação e de configuração de sentido que o ser humano é capaz de, pelo assumir de sua condição, ocasionar ou oportunizar. Tal passa por uma crítica do conceito de “natureza”:

Examinemos, pois, a natureza. Abandonemos o mito materialista da natureza. Pessoa impessoal de ilimitados poderes. Abandonemos o mito romântico da Mãe afável, sagrada, imutável, de que não nos podemos s afastar sob pena de sacrilégio ou de catástrofe; tanto um como o outro submetem o homem pessoal e ativo a um fictício impessoal. Na realidade, a natureza nada mais nos dá, nada mais entrega ao nosso conhecimento racional do que um feixe infinitamente complicado de determinações, das quais não chegamos mesmo a saber se, para além dos sistemas que formulamos para assegurar nossa marcha, serão redutíveis a uma unidade lógica. Em nome de que autoridade nos limitamos a esses indícios? Por exemplo, com Pavlov, às cadeias de reflexos condicionados? [...] Se quisermos ter uma noção da humanidade, precisamos captar no seu vivo exercício e na sua atividade global. As experiências de Pavlov são criações artificiais de laboratório: os seus resultados têm um aspecto mecanicista, porque o sujeito se encontra aí colocado em condições perfeitamente mecânicas. O homem escapa-lhe: ‘o homem é um ser natural, mas é um ser natural humano’. E, exatamente, o homem singulariza-se por uma dupla capacidade de romper com a natureza. Só ele conhece esse universo que o absorve e só ele o pode transformar, ele, o menos armado e o menos poderoso dos grandes animais. E, o que é infinitamente mais, é capacidade de amar. Um cristão acrescentará: foi capacitado para ser cooperador de Deus. É preciso não esquecer os reflexos salivares, mas é preciso também que não sejam eles a obcecar-nos. [...] Os determinismos que de tanto se fala não são uma figura de retórica. Mas a noção de determinismo, embora não expulsa da ciência, como por vezes se diz, foi localizada ao nível dos fenômenos materiais de grande projeção. Os fenômenos infra-atômicos alteram-na. Os fenômenos biológicos ultrapassam-na. A escala vulgar, existe hoje, apenas, para o físico, uma ‘causalidade’ fraca, de modo que ‘uma mesma causa pode produzir um ou outro de vários efeitos possíveis, somente com uma certa probabilidade de obter um efeito e não outro’ (L. de Broglie). O homem não é encerrado no seu destino pelo determinismo. Se nos mantemos concretamente ligados a numerosos e estreitos determinismos, cada novo determinismo que os sábios descobrem é mais uma nota na gama da nossa liberdade. Enquanto se desconhecerem as leis da aerodinâmica, os homens sonhavam voar; quando o seu sonho se inseriu num feixe de necessidades, voaram. Sete notas são pequenos registros: no entanto, foi com estas sete notas que vários séculos de invenção musical se estabeleceram. Aquele que invoca fatalidades naturais para negar as possibilidades do homem, abandona-se a um mito ou tenta justificar uma demissão.
        
    Mounier inicia aqui a explanação propriamente dita de sua concepção de pessoa. “Pessoa” é uma permanente tensão entre duas tendências opostas: a da despersonalização – confusão com o bruto, com o indiferenciado, renúncia à singularidade em meio a um todo, joguete de forças imponderáveis – e personalização – crescente sofisticação de organicidade própria, singularidade em processo dinâmico de solidificação, reorganização da energia em torno à polos de decisão e de intervenção na realidade, particularidade que se afirma por sua diferenciação crescente em meio ao indiferenciado, “diverso” crescentemente consciente de si mesmo e de suas ações. Mounier vê, no processo de personalização, não uma característica que se dê apenas na realidade humana; para ele, a própria diversificação do cosmos e da natureza já apontam em tal sentido:

Esta ascensão da pessoa criadora pode seguir-se na história do mundo. Aparece-nos como uma luta entre duas tendências de sentido oposto: uma é uma permanente tendência para a despersonalização. Não atinge somente essa matéria que é impersonalidade, dispersão, indiferença, que tende para o nivelamento (degradação de energia), identidade ou repetição, como se esses fossem seus fins. Atinge a própria vida, abate os seus impulsos, desdobra-a em espécies de exemplares indefinitivamente repetidos, degenera as descobertas em automatismos, esconde a audácia vital em formações de segurança donde a própria invenção se retira, continua por inércia movimentos que em seguida se voltam contra o seu fim. Acaba por aniquilar a vida social e a vida do espírito através do afrouxamento do hábito, da rotina, das ideias gerais e da tagarelice de todos os dias; - a outra é um movimento de personalização que, em rigor, só começa com o homem, mas cuja preparação se anuncia ao longo de toda a história do universo. Os fenômenos radioativos já fazem prever uma primeira ruptura nas fatalidades monótonas da matéria. A vida aparece seguidamente como uma acumulação de energia cada vez mais organizada em feixes de indeterminação cada vez mais complexos; abre assim a gama de possibilidades que os dispositivos biológicos oferecem ao livre arbítrio do indivíduo e prepara a formação de centros pessoais. Destituída de qualidades a partícula atômica não é individualizável, nem mesmo pela sua posição no espaço, uma vez que as teorias quânticas já não permitem que lhes seja atribuída uma localização precisa e constante. Como o átomo, estrutura de partículas, principia um embrião de individualidade. A individualidade animal é mais segura; no entanto a natureza não lhe presta grande atenção, multiplica prodigamente, para a desbaratar maciçamente em dois milhões de ovos de mosca, somente dois atingem a idade adulta. O animal ignora a consciência reflexiva e a reciprocidade de consciências. Quando se dão conflitos, a sorte do indivíduo está sempre subordinada à da espécie. Com a pessoa humana todo este movimento encontra, senão a sua explicação, pelo menos o seu sentido.
          
  O filósofo apresenta então a sua concepção de humanização: o ser humano se humaniza na medida em que assume sua existência plena, que ultrapassa as determinações e resistências que o manietam e o aferram a um peso do indiferenciado, de situações que o limitam em todos os sentidos:

A aparição do universo pessoal não vem deter a história da natureza, antes a compromete na história do homem sem inteiramente a submeter. Por vezes falamos do ‘homem primitivo’ como este estivesse desaparecido no fundo dos tempos. Quando tivermos tomado viva e perturbante consciência da realidade pessoal, as nossas origens parecer-nos-ão bem mais próximas. Representamos uma comédia mundana e moral que é surdamente dirigida pelos instintos, pelas paixões e pelos interesses; o que chamamos a ‘vida do espírito’ desenvolve grande parte da sua atividade a levantar, sobre tal obscuros atores, uma cortina de justificativas e privilégios. O materialismo, quando histórico e localizado, tem parcialmente razão; na etapa em que estamos da evolução da humanidade, e não no absoluto dos valores, na maioria e salvo individuais conversões, sempre possíveis (juntemos, pois, três condições restritas), o nosso comportamento é maciçamente dominado pela nossa situação biológica e econômica. Há muito tempo, sem dúvida, desde que o homem é homem, que numeroso indivíduos em vastos movimentos tentam quebrar essa escravidão; só ou em grupo, o homem atinge num só lance os cumes da humanidade, antes de retomar lentamente as suas tentativas de aproximação. Mas o universo pessoal não existe ainda senão em ilhas individuais e coletivas, como promessa a realizar. A sua progressiva conquista é a história do homem.
         
   Assim, o humano tem a ver, diretamente, com o sentido de realidade que o próprio homem se autoatribui; se ele se aliena em suas próprias produções, em leis inferidas por sua própria racionalidade, se sua liberdade se limita a se perder no mundo e nas coisas, então as condições necessárias para que atinja sua própria humanidade não foram atingidas; se, por outro lado, faz de sua liberdade a oportunidade de questionar o sentido dessa liberdade, a direção na qual mobiliza suas energias, então estará assumindo a si mesmo como agente de si mesmo e do mundo, e não joguete de forças estranhas, sejam elas quais forem. O personalismo não é, portanto, um espiritualismo, um cientificismo ou uma espécie qualquer de iluminação salvífica, e sim uma tomada de posição consciente frente a si mesmo e à realidade como um todo, em seus mais diversos níveis:

Consequências desta condição.  – Da condição que acabamos de definir resultam consequências importantes: 1ª) Não interessa encher a ciência da “matéria” ou a ciência do “espírito” com desprezo e exaltações que ao nível da realidade não têm qualquer valor. 2ª) O personalismo está longe de ser um espiritualismo. Pertence-lhe, em toda a latitude da humanidade concreta, qualquer problema humano, desde a mais humilde condição material, as mais elevadas possibilidades espirituais. As cruzadas são, em diferentes graus para cada uma delas, produtos simultaneamente do sentimento religioso e dos movimentos econômicos dum decadente feudalismo. É pois verdadeiro serem a explicação pelo instinto (Freud) e a explicação pela economia (Marx) caminhos de acesso a todos os fenômenos humanos, até os mais altos. Mas, em compensação, nenhum, nem mesmo os mais elementares, se compreende sem os valores, as estruturas e as vicissitudes do universo pessoal, imanente como um fim a qualquer espírito humano e ao trabalho da natureza. O espiritualismo e o moralismo são impotentes porque desprezam o julgo do biológico e do econômico. Mas o materialismo, embora pela razão inversa, não o é menos. Como disse o próprio Marx, ‘materialismo abstrato’ e ‘espiritualismo abstrato’ tocam-se, e não se trata de escolher um ou outro, mas ‘a verdade que une os dois’ para aquém de sua separação. Cada vez mais a ciência e a reflexão nos revelam um mundo que não pode passar sem o homem e um homem que não pode passar sem um mundo. 3ª) É preciso repetir no plano da ação o que acabamos de dizer no plano da explicação. Em qualquer problema prático é preciso assegurar a solução no plano das infraestruturas biológica e econômica, se quisermos que sejam viáveis as medidas tomadas em outros planos. Uma criança é anormalmente preguiçosa ou indolente: examinem-se-lhe as glândulas, antes de nos zangarmos com ela. Um país revolta-se: pense-se nos salários, antes de falar em materialismo. E se o quisermos mais perfeito, demos-lhe primeiro essa segurança material, a qual, e disto muitas vezes nos esquecemos, se for faltando de geração, perturbará, talvez, a desejada moderação social. [...] Mas, reciprocamente, a solução biológica ou econômica dum problema humano, por mais perto que esteja das nossas necessidades elementares, é incompleta e frágil, se não forem tomadas em linha de conta as mais profundas dimensões do homem. O espiritual também é uma infraestrutura. As ordens psicológicas e espirituais, ligadas a uma desordem econômica, podem minar durante muito tempo as soluções adquiridas no campo da economia. E mesmo a mais racional estrutura econômica, se estabelecida com desprezo das exigências fundamentais da pessoa, traz dentro de si a própria ruína.
           
 Temos, portanto, uma visão bastante precisa da concepção de ser humano em Mounier. “Ser humano” é aquele que é capaz de resistir às seduções do mergulho no indiferenciado, ou em algum tipo de espiritualismo ou idealismo diáfano; ser humano é uma luta ativa contra essas tendências despersonalizantes, ou seja, alienantes, que fazem o núcleo subjetivo, a resistência ao indiferenciado que constitui originalmente a pessoa, estranhar-se de si mesmo, perder-se fora de si, em suas produções, meios de troca, ou na natureza “bruta”. Em outros termos, pessoa é a responsabilidade encarnada pelo próprio destino no que este destino tem de mais fundamental, os cruzamentos de vida que se configuram e reconfiguram continuamente pelo agir do indivíduo que, ao se relacionar com a realidade em todas as suas dimensões, igualmente a convida a uma personalização, a um partilhar de sua liberdade, de sua realidade e do sentido de humanização que sua vida significa: a diferença para além da violência do indiferenciado, do bruto, dos reducionismos e dos delírios individuais.   
           


[1] MOUNIER, Emmanuel. O personalismo. São Paulo: Duas Cidades, 1964, p. 39-49.

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