SUSTENTABILIDADE INTELECTUAL - UMA DEFINIÇÃO


SUSTENTABILIDADE INTELECTUAL
Uma definição
Ricardo Timm de Souza
I – Prolegômenos

a)                  A revolução informacional em curso teve como uma de suas conseqüências mais incisivas e palpáveis a crescente acessibilidade aos dados da realidade, por permitir, pela própria lógica de virtualização e tessitura crescente de redes comunicacionais, a transgressão de limitações autoritárias de acesso aos dados reais. A falência de lógicas de controle e dominação do conhecimento e da informação por meios tradicionais é cabal e inelutável. A informação reticulada se configura como multiplicação ilimitada de acessos aos dados da realidade, e corrói definitivamente a expressão biopolítica de poder representado por mecanismos tradicionais de controle de informação e saber.
b)                 Na ciência em geral, e na Universidade em particular, no mundo online, tal se expressa no fato de que qualquer pessoa está constantemente informada de tudo o que diz respeito a lógicas de produção e gerenciamento de conhecimento. Os estudantes chegam com um arsenal de recursos de pesquisa e informação absolutamente desproporcional a qualquer previsão que pudesse ser feita alguns lustros atrás; os docentes e pesquisadores têm acesso a um cabedal de complexidade que clarifica suas opções intelectuais e os conecta ao mundo de forma absolutamente independente de suas reputações formais ou frutos de marketing. O “mérito presumido” vai sendo, natural e velozmente, substituído pelo mérito real, reconhecido para além de qualquer fronteira epistêmica tradicional. As contradições explícitas ou latentes tornam-se todas agudas e insustentáveis.
c)                  A possibilidade de que se tente, em mobilização de lógicas de biopoder, travar tal revolução em curso, é muito real, embora fracassada a priori, pois incapaz de perceber a complexidade real do que está em jogo.

II – Uma definição de SUSTENTABILIDADE INTELECTUAL
Sustentabilidade intelectual é o somatório ético-intelectual de credibilidade pública e publicizada, no atual estágio da revolução comunicacional, que um indivíduo, grupo ou instituição é capaz de disponibilizar à comunidade científica e à sociedade em geral, nacional e internacionalmente, legitimada pelo conteúdo de sua precípua atividade ético-intelectual e credora de outras ordens de sustentabilidade-meio (institucional, econômica, política, etc.), em relação às quais se constitui como fim em si na complexidade da tessitura social contemporânea e de seus desafios.



Postagens mais visitadas