KAFKA E A COMPREENSÃO DA CONTEMPORANEIDADE



“UM RELATO PARA UMA ACADEMIA” – Kafka e a compreensão da contemporaneidade[1]

Ricardo Timm de Souza


Aos meus alunos e alunas, bem como aos amigos
Salo de Carvalho, Rodrigo Guiringuelli de Azevedo
e José Carlos Moreira da Silva Filho.


“Ah, o progresso é isso! Essa penetração do saber,
cujos raios vêm de todos os lados para iluminar
o cérebro que desperta! Não há
porque não admiti-lo: eu estava deslumbrado!”
Macaco que virou gente, em “Um relato para uma Academia”

I

O convite que me foi feito para falar sobre esse conto relativamente pouco conhecido de Kafka é muito sugestivo. Afinal, por que não O processo, A colônia penal, O veredicto, essas obras clássicas? Mas é que a escolha tem um outro sentido. E eu quero crer que quando os Profs. Alexandre e Salah pensaram e organizaram este evento, é justamente, em primeiro lugar, para festejar uma série de livros – a Coleção CriminologiaS – que tem como símbolo esse símio – esse macaco. Mas não é qualquer macaco; é um macaco que vira gente. Então, acho que cabe examinar esse processo de transformação de um macaco em gente. Também porque é bastante precário ainda o acesso a essa obra em português; esse conto não é uma das obras que se pode considerar entre as dez mais conhecidas do Kafka[2]. Então, por isso é que, em primeiro lugar, vou alinhavar alguns aspectos que seriam importantes para a compreensão desse processo. Afinal, como é que esse macaco é convocado – é mais ou menos como se eu – aqui – fosse o macaco que sou convidado por vocês para narrar o processo de transformação de macaco em gente? Afinal de contas, ele, hoje, é gente. Tanto é que ele está narrando para os Senhores Acadêmicos essa transformação, essa metamorfose. Muito bem, vamos primeiro situar algo de Kafka, rapidamente, do ponto de vista de seu locus na cultura. Eu costumo dizer, e digo isso sempre e com muita ênfase, que não se entende a cultura do século XX sem compreender Kafka. É absolutamente imprescindível perceber a forma como ele aborda as questões da contemporaneidade em suas novelas, nos seus romances inacabados – três a rigor –, nos seus escritos – porque alguns são inclassificáveis –, nos seus aforismos e diários. Porque sua obra é o retrato vivo do século XX que inicia. Kafka vai nascer em 1883 e morrer em 1924. Portanto, ele mal chega aos 40 anos de idade, porém experimenta uma época decisiva. Ele escreveu sua obra e ao fim da vida disse ao amigo M. Brod: queime tudo, de preferência sem ler. É evidente que se ele quisesse que não fosse lido, ele mesmo teria queimado. Porque Kafka era muito irônico. Não se pode deixar de entender esse fato. Kafka está constantemente nos colocando à prova na nossa capacidade, na nossa argúcia de compreender o que ele realmente está querendo dizer quando ele diz alguma coisa. E, do que ele escreveu, o que se tem hoje é em torno de dez por cento do que escreveu ao longo da vida. O que ele não queria, certamente ele mesmo queimou.

II
Mas esta décima parte já é suficiente para que se perceba como se diagnostica uma era. Kafka é uma espécie de antena de sensibilidade que capta o sentido dum problema civilizatório que está sendo atravessado, que está acontecendo naquele momento. Vamos ver como isso acontece em alguns pontos. Eu vou destacar só dois pontos de contextualização para que fique claro aqui o que depois pode ser observado no relato que o macaco-gente faz à Academia.
Primeiro: Nós estamos percebendo, pelo menos desde 1850, a desagregação de uma lógica, de uma estrutura mental de compreensão do mundo. Tal pode ser percebido pela via da abordagem que se pode fazer do ponto de vista da quantidade de coisas que se inventa e que se descobre nessa época. Pense-se, apenas a título de exemplo, no período 1900-1901, o ano em que Nietzsche morre. É quando sai a Interpretação dos sonhos de Freud, é quando saem as Investigações lógicas do Husserl, é quando são lançados vários modelos novos de arquitetura, é quando Thomas Mann publica Os Buddenbrooks, é quando estão sendo criados movimentos estudantis que até 1910, 1912, vão ser muito importantes na Europa Central, é quando Hilbert lança os vinte “problemas insolúveis” dos próximos cem anos da matemática, dos quais apenas um permanece insolúvel no século XXI. Então, é um ano muito importante, porque para eles foi extremamente simbólica essa passagem. E não é por acaso que o Hobsbawm no livro A era dos extremos diga que o século XX vai de 1914, quando inicia a Primeira Guerra, até 1989, quando cai o muro que separa a cidade de Berlim em duas. Ora, nós estamos num processo de desagregação de uma lógica de sentido. Exemplo: a arte que antes pintava algo representado, se ela fosse pintar flores, ela pintava as flores. Começa então o processo de metamorfose da própria ideia de representação. Os novos pintores[3], por exemplo, menos interessados do que pintar as flores do ponto de vista da sua perfeição pictural ou figurativa, estão preocupados em deixar que as cores saiam de dentro das flores. Está havendo aí uma mudança. Os processos da própria realidade estão se acelerando, os inventos se sucedem – nessas duas décadas finais do século 19 e duas décadas iniciais do século XX se inventa e se estabelece perfeitamente como conquistas civilizatórias desde o avião até o submarino e até o tanque de guerra e até o automóvel e até a metralhadora e vejam: subitamente, o discurso fica algo belicista. Será que isso é coincidência? Nós estamos ali cultivando algo que vai significar uma espécie de resposta civilizatória que – o que aqui nos interessa – contribui muito para a mobilização de guerra. Há uma geração que está absolutamente cansada do passado, da era da representação, da era do universo bem-organizado, do ponto de vista conceitual, que chega ao seu apogeu com o Idealismo alemão na filosofia e nas suas derivações científicas. A era do positivismo científico está indo de vento em popa, ao mesmo tempo que seus críticos. E a essa geração ser chamado pacifista era uma ofensa para a maioria das pessoas. Porque pensavam o seguinte: para esse mundo podre e decadente em que nós estamos vivendo, fin-de-siècle, o pior que pode acontecer é arrasar tudo e começar tudo de novo. Então eu vou para a guerra. Porque, afinal de contas, a guerra é a experiência extrema. Porém, vamos rememorar, para recontextualizar esse tema, alguém que mais tarde vai escrever sobre Kafka – Walter Benjamin – num texto chamado “Experiência e pobreza”. O que acontece com aqueles soldados que vão para a guerra? Ora, nunca se criaram tantos manicômios quanto logo após a Primeira Guerra Mundial. As pessoas voltavam loucas. Por que voltavam loucas? Porque elas esperavam uma guerra no estilo napoleônico, talvez uma guerra de cavalheiros, em suma: algo como uma idealização da guerra. E o que elas viam era a impessoalidade absoluta das frentes de batalha. Nós tivemos filósofos, por exemplo, Wittgenstein e Rosenzweig, que estiveram no front e quase enlouqueceram. Porque, diferentemente de uma guerra em campo aberto, o inimigo não me aparece mais cara a cara. Quer dizer: eu sei que tem uma trincheira ali, eu atiro gás venenoso, eu atiro uma granada, eu metralho, literalmente, uma sombra que aparece no meio das árvores. Já não existe mais cara a cara. A guerra não me dá mais tempo para isso. Há uma precipitação temporal nessa estrutura que faz, então, com que eu perceba que não tenho mais como ter experiência a partir da situação de guerra. E, ao acontecer isso, sabe-se que nunca houve na história tantas execuções sumárias de soldados pretensamente renitentes de irem para campo de batalha. O que acontecia? Eles iam carregar as armas. As armas tinham uma certa precariedade no processo de colocar as balas, etc. Elas explodiam, cortava um dedo: deu um tiro no dedo para não ir para a guerra: execução sumária. Sobre isso temos bastante documentos para ler. Então vejamos: Benjamin vai analisar isso e vai dizer: que estranho, tanta coisa acontecendo e as pessoas perdendo a capacidade de experienciá-las. O que está havendo? Por que isso está acontecendo? Na verdade está se desagregando o alicerce de toda uma ideia de concepção de realidade. Mas isso naquele momento não era perceptível. Gente extremamente inteligente não percebeu, por exemplo, quando o Nazismo ia chegar. Até 1937, pelo menos, havia sábios e gênios achando que aquilo era uma onda passageira, que o nacionalsocialismo era um espasmo de loucura. Isso que Hitler já estava no poder desde 1933-34. Em 1935 o filósofo Husserl vai proferir em Praga uma palestra que tem o título “A crise da humanidade europeia e a filosofia”. Ele está vendo aquilo como uma crise passageira da racionalidade, como que dando ali uma espécie de receituário, à Kant, pensando que é uma questão racional, quando a coisa já está precipitada. Em outros termos: o problema é o revovimento nas entranhas da civilização. E tem também, como toda crise, uma dimensão geracional: basta lembrar nos movimentos revoluciionários na política e na ciência.

III.
O fato é que, para compreender Kafka, temos que entender que ele está sentindo esse terremoto cultural sutil e eloquente a um tempo. É como se fosse um sismógrafo. A sua sensibilidade é sismográfica. E, na época, só um sismógrafo muito sensível era capaz de perceber aquela trepidação. Esse foi Kafka, juntamente com alguns poucos outros (como, coletivamente, pela Escola de Frankfurt, quando criada nos anos 20). Trata-se da questão do mundo administrado. Mundo no qual todos vivemos e que consiste, essencialmente, na transformação – na metamorfose – paulatina e constante de qualidades e singularidades em quantidades mensuráveis e intercambiáveis. No mundo administrado nós somos uma quantidade capaz de nos relacionarmos com o “outro” – com outra quantidade – como coadjuvantes de uma lógica de consumo. Então, esse é um problema. E isso aí está sendo gestado naquele momento de uma forma muito clara. Esse é o pressuposto, a explicação que muitas vezes falta quando se aborda um texto de Kafka. Todos os textos de Kafka, sem exceção, são testemunhos dessa grande Metamorfose.
Eis, portanto, o real tema de A metamorfose, essa estranha Umwandlung. Gregor Samsa acorda certo dia, de sonhos intranquilos, transformado num gigantesco – não simplesmente “inseto!” – mas em um Ungeziefer. Ungeziefer é um ser insetiforme indeterminado e que tem elementos de aberração. Porque o “um”, em alemão, traz essa conotação correlata, por exemplo: das Unwesen, que significa exatamente uma aberração. É um ser repugnante, que se assemelha a um inseto, pela descrição que se segue. Mas veja-se que interessante! Gregor Samsa acorda de sonhos intranquilos, a chuva caindo no peitoral da janela, etc., numa manhã melancólica, assim como a Georg Bendemann tinha acontecido n’O Veredicto, e Samsa está transformado num inseto, e diz: “O que aconteceu comigo?” Aliás, ele não diz, ele pensa. Ele pensa... Até aí, tudo bem. Este é o primeiro momento da obra. Qual é o segundo momento da obra? Há uma reflexão e um certo entremeio e aí ele se dá conta, porque ele olha e tem um relógio na parede. E quando olha no relógio, o que ele percebe? Ele percebe que se ele se corresse desesperadamente, ele conseguiria pegar o segundo trem, que seria a sua segunda desesperada escolha, porque ele já estava definitivamente atrasado para o primeiro trem, que já tinha partido. Por alguma razão, ele não tinha acordado na hora certa. E é aí, e não antes, quando se vê transformado em Ungeziefer, que ele fica apavorado.
A partir desse ponto ele vai realmente, lentamente, se transformando, fechado no quarto, cada vez mais dispensável, e quando morre a empregada o varre junto com o resto do lixo para fora. Não há muita distinção, assim como o Artista da Fome, aquele que ficava jejuando até se confundir com a palha onde dormia, e a família sai para passear, porque merecia depois de tanto sofrimento. Veja-se, assim, como Kafka está de certo modo brincando com seu leitor. A Metamorfose, o próprio título, é uma brincadeira. Gregor Samsa sempre foi um Ungeziefer. Vamos chamar de inseto. Sempre foi um inseto. Só que não sabia disso, talvez. Ele aprendeu da forma mais dolorosa. Aí está a genialidade, aí que está a potência da linguagem – desde o título da obra. Espera-se a descrição de uma metamorfose que, a rigor, nunca aconteceu. Houve apenas uma tomada de consciência de uma realidade. E isso vai acontecer em muitas obras de Kafka. Então, quando nós temos, por exemplo, as viagens que ele fazia, tudo ele usava para transformar aquilo em linguagem, transformar aquilo ao ponto em que ele chegou, ele dizia que tudo aquilo que não era literatura o aborrecia, especialmente conversa sobre literatura. Porque ele já não conseguia senão dizer o que ele percebia como sendo aquilo que o afetava, que afetava o mundo. Vamos imaginar, por exemplo, o caçador Graco, na cidade de Riva. Ele está sendo esperado na cidade de Riva, que por acaso Kafka tinha visitado naquele verão, na Itália. O burgomestre está esperando o caçador Graco. E chega um barco com dois barqueiros e lá está o esquife. E o caçador Graco está ali, num sono profundo. E aí tem um coro infantil que sempre tem nessas obras do Kafka, e o prefeito – o burgomestre – pergunta: Mas, Graco, como é esta história? Estás vivo? Sim, como podes ver, estou vivo, pois afinal de contas ele acorda de um sono profundo. Mas estás morto? Sim, como podes ver estou morto, porque estou no meu esquife e quem me carrega é o barco da morte. Estás vivo ou morto? A morte da binariedade, na qual hoje ainda nós pensamos. Ele está vivo e morto ao mesmo tempo. Aí ele conta sua história. Ele estava caçando camurças, na Floresta Negra, há séculos atrás, caiu e morreu, só que perdeu o caminho da morte. Então teve que continuar semi-vivo, errante por aí. A questão é: o que é vida e o que é morte no início do século XX? A tragédia ficou lá com os gregos, ficou lá com os últimos românticos. Goethe ainda escreveu grandes obras trágicas. Shakespeare, obviamente. Mas, e agora? A vida e a morte estão se banalizando. Ou não é banal o fato de que, por exemplo, na Guerra do Iraque, se descobre que morreu muito mais gente do que se pensava. Afinal de contas, o que nós temos a ver com isso? Se a morte é banal, a vida é banal; se a vida é banal, a morte, evidentemente, é banal. Não é a vida daquele mártir que viveu a vida toda para se sacrificar por uma causa. É uma vida que poderia ser uma morte, que não faria diferença nenhuma. Porque os personagens do Kafka não morrem, a rigor: eles se deixam morrer, eles desaparecem. Eles se petrificam, eles se confundem com o ambiente. Eles são até assassinados, mas como um cão, como Josef K. no fim do Processo. Ou eles se deixam cair, como Georg Bendemann, no Veredicto. É interessante, porque vejam se há ação mais passiva do que se deixar soltar agarrado numa barra de ferro no Rio Moldava. Abrir a mão... É uma ação, mas uma “ação passiva”. Ele se deixa cairÉ uma ação que tem uma dimensão intrínseca de passividade. Porque a morte já não pode ser morrida. Por que não pode? Porque a vida já não consegue ser vivida.

IV
Há um personagem num conto do Kafka chamado Preocupações de um pai de família, que é um construto chamado Odradek, semelhante a um carretel mal-ajambrado, precariamente equilibrado em três lados – tem os dois lados do carretel e ainda uma patinha, uma madeirinha – e Odradek tem uma mobilidade incrível, sendo capaz até de responder a perguntas, desde que sejam infantis, perguntas pueris. E ele é capaz de rir, porém – e assim é citado – como só poderia rir alguém desprovido de pulmões. “O seu riso assemelha-se a um farfalhar de folhas secas”. Magnífica expressão para aquilo que se poderia chamar de uma caricatura de um sorriso, ou de um riso. Assemelha-se vagamente a um sorriso, mas como Odradek não tem pulmões, ele não tem vida. Ele é uma espécie de simulacro da ideia de vida, então ele também não morre. Vai sobrevivendo a gerações. Por isso que ele é a preocupação de um pai de família. Eler permanece semi-vivendo.
O médico rural, que é a terceira obra à qual eu queria também fazer rápida referência, é a história daquele médico que está preocupadíssimo com seu dever kantiano de atender todos os seus pacientes e, no meio de uma nevasca gigantesca na Boêmia, os seus cavalos tinham morrido ontem, impedindo-o de acorrer a um chamado urgente. Sempre aconteceu isso com Kafka: ontem significa as expectativas de antes que desapareceram. Então ele tem o carro, mas não tem os cavalos para levá-lo até o paciente que está muito mal... Porém, surge um cocheiro misterioso que traz de dentro da cocheira da sua própria casa dois cavalos que ele não sabia que existiam. Só que ele não tem tempo para pensar nesse fato. Ele tem que naturalizar este fato. Ele chega à casa do paciente e lá está um jovem, um jovenzinho, que aparenta estar muito bem. Ele vai dizer: o que é isso? Por que me chamaram aqui, com toda essa loucura, se ele está tão bem assim? E quando ele faz menção de ir embora, todo mundo olha para ele espantado. Mas como? Ele vai embora? Aí ele volta: Será que eu perdi alguma coisa? E aí temos, no conto, a descrição do que ele vê no flanco do rapaz, uma ferida aberta do tamanho de um pires, já complicada, digamos assim, supurada, etc. Toda uma descrição expressionista. A ferida da mortalidade; mas o jovem não consegue morrer. O médico não consegue fazer nada. Mistura-se o sonho com a realidade e ele volta, após perípécias que não temos tempo de analisar aqui, no carro, com os dois cavalos que o trouxeram, numa rapidez onírica, para casa. Volta pensando na vida, pensando de quão inútil foi essa visita que ele fez a esse doente e dizendo aproximadamente o seguinte: (é assim que acaba a novela) “aqui estou eu num carro perfeitamente natural, puxado por cavalos perfeitamente sobrenaturais, sem saber de onde venho e para onde vou”.
A questão é: há melhor retrato de um ser contemporâneo do que isso? Eu estou falando primariamente do tempo contemporâneo do Kafka, mas certamente se pode ampliar o século que se segue à sua morte. Não temos mais segurança. Não sabemos mais, muitas vezes, viver, porque não sabemos morrer. Não sabemos morrer, porque não sabemos viver. Quando se tenta afastar da nossa realidade pessoal a realidade determinante da nossa finitude, da nossa mortalidade, como se isso não fosse aquilo que desse valor para o nosso tempo de vida, alguma coisa está muito embrulhada. É muito assustador. Kafka percebeu isso, poderíamos dizer, com 100 anos de antecedência. A obra dele consiste, essencialmente, neste testemunho.

V
Abordemos agora a obra do macaco. Pois, afinal de contas, é sobre o macaco que temos que falar. Kafka gostava muito de animais. Animais híbridos. Porque os animais podem dizer coisas que os seres humanos não têm ouvido ainda para ouvir, não conseguem entender, falam uma outra linguagem. Há o famoso conto no qual o dono fala no misto de carneiro e gatinho que possui, e com o qual às vezes vai passear nos domingos à tarde, quando as crianças se divertem com aquele ser inusitado e inofensivo. Confessa que já pensou até mesmo em sacrificar esse animal, porque parece ser uma aberração. Mas, por outro lado, por que iria fazer isso? O animal diverte as crianças. Há um personagem também, das “investigações de um cão”, que é muito interessante. Há uma série de personagens de animais que aparecem não por acaso na obra de Kafka, como o cavalo-causídico de “O novo advogado”. E aí está também nosso macaco. Nosso macaco é convidado a uma academia de ciências, obviamente, dessas academias tradicionais europeias para contar o processo – eu insisto na palavra processo – de transformação, nessa metamorfose pela qual passou de macaco a gente. Em nenhum momento diz se ele tem a aparência de macaco ou de gente, porque isso era absolutamente irrelevante para Kafka. Kafka não perde tempo descrevendo coisas. Só diz o essencial.
E, no original é muito interessante, pois a linguagem que o macaco usa é altamente barroca. É tão insuflada de preciosismos que fica extremamente difícil até mesmo para um alemão de cultura média entender. Mas, na hora em que o tradutor faz a tradução, ele tem que de algum modo facilitar a abordagem do texto. E a tradução que o Enio Silveira fez foi mais ou menos essa:
“Excelentíssimos senhores da academia (na verdade, o original seria “altos senhores da academia”, R. T. S.) – destes-me a honra de solicitar-me que apresentasse a essa academia um relatório sobre minha vida anterior, quando macaco.”[4] Essa é um síntese daquela frase longuíssima que inicia o discurso do macaco. E aí ele começa a tecer certas considerações – o que é quase impossível para ele, porque embora faça quase cinco anos que já seja mais macaco, portanto, não é um tempo tão longo assim, as lembranças já ficaram perdidas no passado, num passado que ele praticamente não consegue mais reencontrar. É evidente que ele vai trazer, por exemplo, o fato de que se ele tivesse se mantido muito fiel à sua própria origem não teria conseguido fazer os feitos que fez, a saber, apresentar-se eruditamente às academias, fazendo relatos de como ele se transformou em gente.
O macaco começa a contar que aprendeu muitas coisas, mas que a primeira coisa que ele aprendeu “foi o ato de apertar mãos”. “Apertar mãos denota a presença de um coração aberto. Permitam-me acrescentar a esse gesto, aqui e agora, quando me sinto no apogeu da minha carreira, a mais ampla franqueza verbal. Está claro que isto nada de novo revelará a Vossas Excelências, e seguramente ficarei aquém do que esperais de mim, pois, embora animado das melhores intenções, não poderei lhes algo de substancial. Em linhas gerais, porém, talvez venha a servir-vos como orientação a respeito do modo pelo qual um ex-macaco adentrou o mundo dos homens e nele se pode fixar. Se não estivesse tão seguro de mim mesmo, se minha posição não tivesse tão firmemente consolidada em todos os grandes palcos de variedades do mundo civilizado por certo que então me sentiria à vontade para relatar-vos até mesmo as trivialidades que se seguirão.”[5]
Note-se que ele está falando num registro altamente neutro – uma descrição – e de repente introduz a ideia de um teatro de variedades, de um circo. Por que será? Aí ele começa a contar: “sou originário da Costa do Ouro”, etc. “Sobre minha captura disponho apenas de testemunhos de terceiros – afinal de contas, ele foi ferido na captura – uma expedição de caça promovida pela Cia. Hagenbeck “com cujo líder, a propósito, cheguei mais tarde a esvaziar incontáveis garrafas de excelente clarete.”[6] Ora, existirá alguma descrição mais plástica de hipocrisia do que isso? Por trás dessa linguagem tão simplória – aparentemente tão simples – há uma sutileza extraordinária. Quer dizer, o dono da Companhia que mandou os caçadores caçarem macacos para o zoológico ou para o circo de variedades vai depois compartilhar com sua caça excelente vinho tinto – Rotwein –, como é o original, que Enio Silveira traduziu por clarete. O macaco havia ido beber água e levou dois tiros: um na testa e um que pegou em partes que ele não gosta de confessar quais sejam. E que, de algum modo, o prostraram, e o fato é que depois, quando acorda, está numa espécie de jaula. “Algum tempo depois do tiroteio pude voltar a mim – é aqui que verdadeiramente começam minhas recordações – e me vi preso numa jaula colocada na terceira classe do navio de Hagenbeck. Bem, não era uma jaula convencional com grades de ferro em toda a sua volta, mas uma espécie com apenas três de seus lados cercados e o último abrindo-se para um caixote. Era tudo muito baixo para que eu me pusesse de pé, e muito estreito para que eu me acomodasse sentado. Agachei-me então, dobrando os joelhos permanentemente trêmulos, e, talvez porque não desejasse ver ninguém a princípio, preferindo permanecer no escuro, fiquei com o rosto voltado para o tal caixote, sentindo que as barras do fundo lanhavam a carne das minhas costas.”[7] Quer dizer, de algum modo o primeiro passo dessa sua metamorfose foi ser quase que colocado num torno – numa jaula que era na verdade uma câmara de tortura. Ele não podia se mexer. Está complicado! E ele queria ficar no escuro mesmo. Não queria ver nada. Ele inclusive comenta en passant: “este método de enjaular animais selvagens recém-capturados é ainda hoje considerado muito eficiente e sou obrigado a reconhecer que do ponto de vista dos humanos ele efetivamente o é.”[8] É bem uma frase kafkiana! “Naquela ocasião, contudo, nem me preocupei com a questão. Pela primeira vez em minha vida me via num beco sem saída”[9]. Tornar-se humano começa com ver-se em um beco sem saída. Nós não aprendemos, o tempo todo, num discurso edificante, que tornar-se humano é dispor da própria liberdade, ou coisa parecida? Com o Kafka parece o contrário. O macaco está perdendo a liberdade. “Tudo que se abria diante de mim era o oco do caixote, tábua contra tábua.”[10] Isso o leva a pensar em sua vida anterior: “Eu me dava conta de que anteriormente sempre tivera várias opções diante de mim. Agora, nenhuma restava: via-me literalmente num beco sem saída. Se me tivessem pregado a uma tábua, minha liberdade de movimento não estaria mais limitada do que na circunstância em que me encontrava.”[11] Quer dizer: a situação era extraordinariamente complicada. Surge então sua ideia luminosa: “Pois bem, deixarei então de ser macaco.”[12] É a única saída que ele tem. Ele não tem saída, a não ser essa. “Essa e outras ideias luminosas me vieram ao estômago, pois é com o estômago que os macacos pensam.”[13]

VI
Seguem as considerações de nosso macaco. “Muitas vezes me foi dado apreciar antes de meus números de variedades nos palcos, o trabalho de trapezista lá nas alturas, perto do teto. Balançavam-se para lá e para cá, tomavam impulso, saltavam, flutuavam no ar até chegar aos braços dos parceiros, sendo que alguns os agarravam pelos cabelos, com os dentes. ‘Eis aqui uma demonstração da liberdade humana’, dizia-me eu, ‘um momento de liberdade criado pelos homens’. Mas que grotesca paródia da Divina Natureza! Nenhum edifício resistiria às gargalhadas que tal espetáculo provocaria na macacada.”[14] Coisa bonita. As pessoas livres, flutuando. Os macacos não achavam aquilo. Eles ririam dessa liberdade, dessa ilusão. E aí começa, realmente, a história do processo de transformação. Porque ele está enjaulado no porão do navio, sendo levado para um lugar que ele ignora, e lá havia marinheiros. Os marinheiros queriam se divertir, afinal os marinheiros não têm muito o que fazer durante a viagem, a não ser os seus afazeres de marujos. Os tripulantes eram boas pessoas apesar de tudo. “Estou a recordar-me nesse instante do barulho pesado de seus passos a ecoar na minha semi-sonolência. Tinham o hábito de executar muito vagarosamente todas as tarefas que lhes cabiam. Se um deles quisesse esfregar os olhos, erguia as mãos como se elas pesassem uma tonelada.”[15] “Suas piadas eram rudes, mas muito alegres e comunicativas. Eram sempre acompanhados por acessos de tosse, que soava assustadores, mas não tinha importância maior.”[16] O que acontece então é que então ele vê vai ter que entrar em conluio com esse estado de coisas para poder dar conta daquilo que é a sua finalidade de transformar-se – deixar de ser macaco. Ele pensou em muitas outras formas, mas viu que o melhor seria estar – ou “encaixotar-se”? – realmente dentro daquilo que se esperava que ele fizesse como macaco para virar algo diferente de macaco: “Não raciocinei, mas dediquei-me com a maior tranquilidade à observação daqueles homens que andavam para lá e para cá, sempre com as mesmas caras, os mesmos movimentos – tão uniformes que frequentemente me parecia haver apenas um deles a trabalhar. E esses homens – ou esse homem – não se viam perturbados por coisa alguma.”[17] Temos aqui uma descrição exata da quantificação sem limites, da sociedade administrada, das pessoas feito máquinas – mesmo máquinas acadêmicas – afinal, trata-se do relato a uma Academia. Vamos imaginar que estamos no centro de uma multidão. É um ou muitos? Se alguém quer se sentir solitário, não adianta ficar num quarto escuro. Tem de ir para o meio da massa. Porque no quarto escuro ocupamos muito espaço e nos encontramos muito conosco mesmos. Mas no meio da massa, 100 mil pessoas, se alguém sumir dali ninguém vai notar. É paradoxal, mas é real. O macaco sabe perfeitamente disso. Ele já começa a perceber que toda aquela gente, na verdade, age conforme uma espécie de música que não se ouve. Eis a razão administrada antes referida, tão magnificamente criticada pelo pensamento de Adorno. Alguma coisa os faz – os marujos – se moverem com aquela lentidão, com aquela previsibilidade, tendo que lidar com situações da vida como se fossem paródias de liberdade. Paródias tão ridículas como pensar que o trapezista é livre, porque ele “flutua” no trapézio. (Aliás, não por acaso, o trapezista é uma figura recorrente no Kafka.) Então o macaco pensa: “Era tão fácil imitá-los! Não me custou nada aprender a cuspir, e logo cuspimos na cara uns dos outros; a única diferença era de que eu me limpava imediatamente, e eles não. Também não demorou muito para que eu começasse a fumar cachimbo como um veterano. Quando pressionava o fornilho com o meu polegar, os tripulantes morriam de rir. A duras penas, no entanto, percebia a diferença entre um fornilho vazio e outro cheio.”[18] Agora começa o problema! “Tive problemas maiores com as garrafas de aguardente. O cheiro da bebida me incomodava bastante.”[19] Ele não suportava o cheiro. Mas veja-se que depois, já humano, bebeu litros de excelente clarete com o dono da Cia. Hagenbeck. Porém, neste momento, ele não suportava nem o cheiro da garrafa daquele rum barato que os marujos tomavam. Então, vinha um lá tentar ensiná-lo a beber. Mostrava com gestos perfeitamente didáticos como deveria fazer. E ele vai narrando esses gestos. O professor bebia de um trago, depois afastava a garrafa. Coçava a barriga de satisfação. E ele, macaco, tentava fazer isso, mas ele era repugnado pelo cheiro. Atirava a garrafa longe, mas o marujo era paciente, porque ele sabia que o macaco tinha boas intenções, mas não conseguia porque alguma coisa nele resistia deixar de ser um macaco. O problema dele agora não é que ele queria não ser macaco, é que ele resistia atavicamente, dada a sua origem símia, macacal, em deixar de ser macaco. Esse era o problema com o qual agora ele tem que lutar: a expressão de sua sinceridade. E lutar bravamente. “Imaginai, portanto, Senhores, o grande triunfo que tivemos tanto ele (esse professor de beber, R. T. S.) quanto eu, quando certa noite diante de um círculo de espectadores – e aí começa – desarrolhei uma garrafa, etc.” Bom, ele finge que bebe, bebe um pouco a atira a garrafa longe e faz toda mise-em-scène do espetáculo que era esperado que ele fizesse. E então, do fingimento que bebia, ele bebe realmente e, ainda por cima, ele diz: “Olá! ingressando com essa exclamação no mundo da fala humana e dando o primeiro passo para integrar-me à sua comunidade. A reação foi imediata, ‘Ouçam, ele fala’, e equivaleu a um beijo em meu corpo suarento.”[20] Ele disse “Olá!”. Havia virado humano.

VII
E aí vem uma frase que é genial, que está, na traduçaõ, muito fiel ao original: “E aprendi, Senhores! Ah! Como se aprende quando é necessário, como se aprende quando se busca uma saída. Aprende-se como se à ponta de um chicote, à menor desobediência lá se vai uma chibatada! Minha natureza simiesca passou a afastar-se de mim a olhos vistos. Tão depressa que meu primeiro treinador é que quase se transformou num macaco, vendo-se obrigado a interromper as lições e internar-se num sanatório. Felizmente não demorou muito a ter alta.”[21] E começa a ironizar referindo-se a nós, seus ouvintes e leitores. “Passei por uma sucessão de treinadores, às vezes, vários deles simultaneamente, esgotando-os a todos.”[22] Ele era mais esperto que todos. Porque ele sabia como fazer as coisas. “Fui passando a escolher os meus próprios mestres, instalando-os em cinco salas contíguas e tendo aulas em sequência ao pular sem descanso de uma para outra. Ah, o progresso é isso.”[23] Ele está progredindo. Ele está virando mestre de seus mestres. Os mestres estão aprendendo com ele como é difícil ser um mestre. “Essa penetração do saber, cujos raios vêm de todos os lados para iluminar o cérebro que desperta! Não há porque não admiti-lo: eu estava deslumbrado!”[24].

VIII.
Então, como está a situação dele hoje, dia do relato? “Com as mãos nos bolsos das calças, uma garrafa de vinho sobre a mesa, mantenho-me meio sentado, meio-deitado na cadeira de balanço (compare-se essa posição com aquela de desconforto do primeiro momento quando ele foi preso na jaulinha, R.T.S.) e olho pela janela para o mundo lá fora. Se chega uma visita recebo-a de modo adequado. Meu empresário fica na antecâmara: se toco a sineta, ele vem logo e ouve o que tenho a dizer-lhe. (O empresário, que seria aquele que o levaria ao teatro de variedades: agora é o macaco que o manobra – R. T. S.). Às noites há representações quase sempre, meu sucesso é insuperável. Quando retorno à minha casa, altas horas, depois de banquetes e outras reuniões sociais, outros solenes encontros formais, está à minha espera uma jovem chimpanzé ainda não completamente treinada com a qual me entrego aos prazeres tão caros aos macacos. De dia não me interessa muito estar com ela, pois traz sempre nos olhos o ar surpreendido dos animais ainda em fase de treinamento. Só eu dou por isso, mas não consigo suportar. (...) Pensando bem, cheguei, sem dúvida, ao que me fixei como meta. Não se diga que não valeu a pena. A propósito: não quero ser julgado por homem algum. Procuro apenas divulgar conhecimentos. Limito-me a relatar. E verifico que, até mesmo a vós, eminentes Senhores Acadêmicos, mais não fiz do que um simples relato.”[25]
Bem, o que faz o macaco ao longo dessa metamorfose consciente? Ele vai nos atirando na cara, uma a uma, todas as nossas hipocrisias. Primeiro: para ser gente ele tem que mentir. Não dá para ser gente sem mentir. Uma pessoa que só diga a verdade imediatamente ou é pregado na cruz ou é atirando em um buraco. A criança aprende isso. Às vezes de uma forma difícil. Eu posso mentir por omissão também. Porque aí vem o ardil da razão. E isso o macaco aprendeu muito bem. Tanto que ele não diz, em nenhum momento, que ele fez isso com o objetivo de se tornar humano. Era a única saída que ele tinha. Para viver no mundo administrado era preciso viver como uma pessoa administrada, como um número a mais nessa multidão. Mas, ele não se contenta com isso, já que ele tem todo esse atavismo selvagem por dentro e conseguiu perceber essa distância e sofreu no lombo o que significou ser preso e levar tiros. Então, ele tira proveito disso. E ocupa o seu lugar. E ele é convidado pelos Acadêmicos para dizer como se processou essa metamorfose de macaco em ser humano. “Ser humano”, essa é a questão que está por trás. O que é ser humano? O que é humano, para Kafka? O que significa: o que é a cultura para Kafka? Ora, sua obra consiste exatamente em mostrar a disfuncionalidade que que se dá quando alguém toma consciência do sismo que está acontecendo nas placas tectônicas das profundidades da cultura. É por isso que os personagens dele são tão “esquisitos”, ou tão “absurdos”, ou tudo aquilo como se queira categorizá-los ou qualificá-los. Eles são tudo isso, mas não são nada disso. Eles são, simplesmente, o retrato de um universo e de um mundo. O nosso mundo. Por isso, eles nada têm de esquisitos ou de absurdos. São absolutamente coloquiais e essencialmente medíocres, encontráveis em cada esquina. Ou seja: é exatamente o nosso mundo aqui e agora. O absurdo do Kafka de absurdo nada tem, é uma mera descrição da realidade tal qual é, tal qual se dá no dia-a-dia. Vivemos num mundo que é pelo menos tão “absurdo” quanto esses personagens e suas peripécias; então, por que dizemos que é de Kafka o absurdo? Um interessante mecanismo psíquico de defesa. O que há por trás é o sugar de alguma seiva que requalificaria, ou daria a possibilidade de requalificar o humano com algo de uma humanidade que não fosse uma ideia abstrata: o encontro com o Outro. Pela minha experiência eu acho isso especialmente pertinente. Vale a pena ler Kafka muito atentamente, porque às vezes se corre o risco de pensar: será que eu não estou louco? Será que essa obra realmente foi escrita em 1913-14, não foi escrita em 2010-2011? Essa é a pergunta que fica: a pergunta que dá o que pensar. Com isso, com essa estranha inquietação, concluo meu modesto “Relato” aos Senhores.  
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Referências

KAFKA, Franz. Gesammelte Werke in zwölf Bänden nach der kritischen Ausgabe, Frankfurt a. M., Fischer, 1994.
______, Contos, Fábulas e Aforismos, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993.
SOUZA, Ricardo Timm de. Metamorfose e Extinção – sobre Kafka e a patologia do tempo, Caxias do Sul: EDUCS, 2000.
______, Adorno & Kafka – paradoxos do singular, Passo Fundo: Editora do IFIBE, 2010.
______, Kafka, a Justiça, o Veredicto e Colônia Penal, São Paulo: Perspectiva, 2011.
______, “Tensão e expressão – Kafka, hermeneuta do tempo patológico”, in: DUARTE, R. – FIGUEIREDO, V. (Orgs.), Mímesis e Expressão, Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2001, p. 145-156.




[1] Palestra proferida na Fundação Universidade do Rio Grande - FURG, promovida pelos Profs. Alexandre Costi Pandolfo e Salah Hassan Khaled Jr., por ocasião do lançamento da primeira série de livros da Coleção CriminologiaS, pela Editora Lumen Juris.
[2] Naturalmente, o título dessa palestra se refere à obra de Kafka “Ein Bericht für eine Akademie”, reproduzida, fielmente à edição crítica, em KAFKA, F., Ein Landarztz und andere Drucke zu Lebzeiten, in: KAFKA, F. Gesammelte Schriften in zwölf Bänden nach der kritischen Ausgabe, Frankfurt a. M., Fischer, 1994, p. 234-246. Existe tradução brasileira de Enio Silveira, com o título de “Comunicação a uma academia”, in: KAFKA, F. Contos, fábulas e aforismos, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993, p. 59-76. Utilizaremos essa última edição (doravante abreviada RA) para citações, procedendo, quando assim acharmos conveniente, a modificações em função do original, que serão sempre assinaladas.
[3] Naturalmente o ano 1900 nos serviu apenas de referência cronológica geral, e não de referência histórica precisa.
[4] RA, p. 59.
[5] RA, p. 60-61. Grifo nosso.
[6] RA., p. 61.
[7] RA, p. 62-63.
[8] RA, p. 63.
[9] RA, p. 63.
[10] RA, p. 63.
[11] RA, p. 64.
[12] RA, p. 64.
[13] RA, p. 64.
[14] RA, p. 65.
[15] RA, p. 65.
[16] RA, p. 65.
[17] RA, p. 67.
[18] RA, p. 68.
[19] RA, p. 68.
[20] RA, p. 70.
[21] RA, p. 71.
[22] RA, p. 71.
[23] RA, p. 71.
[24] RA, p. 71.
[25] RA, p. 72-73.

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